Falar sobre prazer aproxima mais do que imaginas
Dizer o que gostamos, perguntar o que dá prazer ao outro e falar sobre desejos ou limites pode melhorar muito a intimidade. O problema é que nem sempre sabemos como começar. Descobre formas simples de tornar estas conversas mais naturais, leves e úteis para os dois.
Porque é tão difícil falar sobre prazer?
Podemos falar durante horas sobre trabalho, férias, dinheiro ou planos para o futuro e, mesmo assim, sentir dificuldade em dizer uma frase tão simples como:
“Gostava que fizesses mais isto.”
Quando o assunto é prazer, muitas pessoas receiam ser julgadas, magoar o parceiro, parecer demasiado exigentes ou revelar algo que o outro possa não compreender.
Por isso, acabamos muitas vezes por esperar que a outra pessoa adivinhe aquilo de que gostamos.
E é aí que começa o problema.
Mesmo numa relação longa, ninguém consegue saber exatamente aquilo que o outro sente, deseja ou gostaria de experimentar sem que exista comunicação.
Falar sobre prazer não significa que alguma coisa esteja mal. Pelo contrário: pode ser uma forma de conhecer melhor a pessoa que temos ao nosso lado.
Não comeces pela crítica
Existe uma grande diferença entre dizer:
“Tu nunca fazes aquilo de que eu gosto.”
e dizer:
“Sabes uma coisa que adoro quando estamos juntos? Quando fazes…”
O assunto é semelhante, mas a sensação provocada no outro é completamente diferente.
Sempre que possível, fala daquilo que gostarias de ter mais, em vez de fazer uma lista daquilo que está errado.
Troca:
“Nunca tens iniciativa.”
por:
“Gosto muito quando és tu a tomar a iniciativa.”
Troca:
“Fazes isso demasiado depressa.”
por:
“Adoro quando vais mais devagar.”
A conversa deixa de parecer uma avaliação de desempenho e transforma-se numa descoberta.
Escolhe o momento certo
Uma conversa sobre intimidade nem sempre deve acontecer durante um momento íntimo — e muito menos imediatamente depois de algo que não correu como esperado.
Pode ser mais fácil falar:
durante um jantar tranquilo;
numa viagem de carro;
enquanto passeiam;
deitados a conversar;
ou simplesmente num momento em que ambos estão relaxados.
Quando não existe a pressão de “ter de acontecer alguma coisa” logo a seguir, é mais fácil falar com sinceridade.
Começa pelo que já funciona
Uma das melhores formas de iniciar a conversa é falar primeiro sobre aquilo de que gostas.
Por exemplo:
“Sabes uma coisa que adoro em nós?”
“Há alguma coisa que eu faço que gostes especialmente?”
“Qual foi um dos nossos momentos a dois de que mais gostaste?”
Começar pelo positivo cria segurança e torna muito mais natural passar depois para desejos, curiosidades ou coisas que gostariam de experimentar.
Faz perguntas que não se respondem apenas com “sim” ou “não”
Em vez de:
“Gostaste?”
experimenta:
“Do que gostaste mais?”
Em vez de:
“Queres experimentar coisas novas?”
experimenta:
“Há alguma coisa que sempre tiveste curiosidade em experimentar?”
Outras perguntas que podem abrir conversas interessantes:
“O que te faz sentir mais desejado/a?”
“Preferes que eu seja mais romântico/a ou mais provocador/a?”
“Há alguma coisa que gostasses que fizéssemos mais vezes?”
“O que te ajuda a desligar e entrar no ambiente?”
O objetivo não é fazer um interrogatório. Basta uma pergunta para começar uma conversa completamente diferente.
Experimentem o jogo do “Sim, Talvez, Não”
Esta é uma forma simples de descobrir curiosidades sem colocar pressão sobre ninguém.
Cada pessoa pensa em diferentes experiências, situações ou fantasias e classifica-as mentalmente em três grupos:
SIM — gostava de experimentar.
TALVEZ — tenho curiosidade, mas gostaria de falar melhor sobre isso.
NÃO — não me desperta interesse ou não me sinto confortável.
A parte mais interessante costuma estar no “Talvez”.
É aí que aparecem conversas como:
“Talvez, mas só se…”
“Tenho curiosidade, mas nunca pensei muito nisso.”
“Não dessa maneira, mas talvez de outra.”
Nem tudo aquilo que se conversa precisa de ser colocado em prática. Fantasiar, conversar e imaginar também pode fazer parte da intimidade.
Criem um código simples durante os momentos a dois
Nem sempre apetece parar para explicar tudo.
Por isso, podem combinar palavras simples como:
“Mais.”
“Assim.”
“Mais devagar.”
“Continua.”
“Muda.”
São pequenas indicações que ajudam o outro a perceber aquilo que está a resultar, sem transformar o momento numa aula.
E existe uma palavra particularmente importante:
“Não.”
Limites devem poder ser comunicados sem medo, pressão ou necessidade de justificação. Quando existe confiança para dizer tanto “quero” como “não quero”, a intimidade torna-se mais segura e confortável para ambos.
Não leves todas as preferências para o lado pessoal
Se o teu parceiro disser que prefere algo diferente, isso não significa necessariamente:
“Não és suficientemente bom.”
Significa simplesmente:
“Estou a mostrar-te melhor como funciona o meu prazer.”
As preferências podem mudar com o tempo, com a idade, com o estado emocional e até de um dia para o outro.
Conhecer uma pessoa intimamente não é chegar a uma resposta definitiva. É continuar curioso.
Façam pequenas experiências
Não é necessário reinventar toda a vida íntima.
Escolham apenas uma pequena coisa diferente.
Pode ser:
criar um ambiente diferente;
trocar massagens;
experimentar um beijo mais demorado;
deixar uma mensagem provocadora durante o dia;
fazer uma pergunta que nunca fizeram;
partilhar uma fantasia;
mudar quem toma a iniciativa;
reservar algum tempo só para estarem juntos, sem telemóveis.
Depois façam uma pergunta muito simples:
“Gostaste? Repetíamos?”
Pouco a pouco, vão construindo uma espécie de mapa daquilo que funciona para os dois.
O desafio: 3 perguntas para esta noite
Se nunca falaram abertamente sobre prazer, não precisam de começar com uma conversa enorme.
Experimentem apenas estas três perguntas:
1. O que eu faço que te faz sentir mais desejado/a?
2. O que gostarias que fizéssemos mais vezes?
3. Há alguma coisa que tenhas curiosidade em experimentar comigo?
Sem julgamentos.
Sem obrigação de fazer nada.
Apenas ouvir.
Talvez descubram que, mesmo depois de muitos anos juntos, ainda existe muito por conhecer.
Porque falar também faz parte da intimidade
Uma boa vida íntima não depende de conseguir adivinhar aquilo que o outro quer.
Depende de existir espaço para perguntar, ouvir, experimentar, mudar de ideias e dizer aquilo que sentimos.
E quanto mais confortável se torna essa conversa, menos precisamos de fingir, adivinhar ou ficar em silêncio.
Às vezes, melhorar a intimidade não começa no quarto.
Começa simplesmente com uma pergunta: “E tu, do que gostas?”

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